Depois de uma certa idade, alguns vínculos permanecem e outros se desfazem. Isso acontece em outros momentos da vida, mas creio que ficam evidentes perto dos 30. Dia desses, saí com algumas pessoas que foram amigas em outros momentos da minha vida. Há muito tempo não conversávamos. Falamos sobre a vida, o trabalho, os sonhos. Durante a conversa, uma sensação agridoce me atingiu. Percebi que, provavelmente, não faria aquilo de novo com todas elas, o tempo se encarregara de encerrar algumas daquelas relações.

É doloroso pensar que o tempo leva algumas coisas que são boas. Nenhuma das pessoas a que me refiro enquanto escrevo são ruins. São mulheres incríveis, lindas, divertidas e batalhadoras, cada uma ao seu modo. Continuo admirando o que fazem e quem são. No entanto, algo se perdeu: a intimidade. Não há mais assuntos em comum e nem vontade de dividi-los. Não há interesse em cada aspecto da vida do outro.

Todas se transformaram. Assumiram papeis. Alguns parecidos com os meus, outros não.

Assim como minha ex amizade com essas mulheres, relações se desfazem por desuso. Ocupação com outras coisas, investimento em outras pessoas. A outra pessoa não se tornou ruim ou desinteressante, apenas houve a troca por algo que parecia mais atraente ou satisfatório.

Uma relação como essa que eu descrevo e que todos conhecemos pelo menos uma, não acabaram apenas porque o outro mudou. Mas sim porque não havia companhia na mudança. A comunicação diminuiu, as inseguranças apareceram, encontra-se outras pessoas e muitas outras razões. E assim, uma relação acaba.

Naquele dia, identifiquei que queria resgatar algumas amizades. Aquelas que tem significado atual. Pessoas com as quais pode haver troca e cumplicidade. Outras não pretendo. Foram pessoas muito importantes para mim, mas que hoje são parte de um passado.

Talvez a parte mais difícil de aceitar seja que algo tão bom terminou. Risadas, fofocas, comilanças, filmes e seriados compartilhados. É doloroso reconhecer que alguém que amei tanto não é tão importante para mim e que eu também não sou. Que mudei e que elas também mudaram e que depois de tanto tempo não há vontade ou interesse de investir.

Acredito que o vazio de uma pessoa nunca é preenchido por outra. Isso é ótimo, porque não precisamos encontrar ninguém igual ao que foi perdido, mas sim alguém diferentemente importante. Encontrei novas melhores amigas, assim como elas. Não sei mais suas músicas favoritas ou se estão de dieta. Não conheço as pessoas com quem elas ficam ou se estão apaixonadas. Não somos mais parte da vida umas das outras agora. Mas houve algo bom, houve aprendizado. O que aconteceu há poucas semanas foi só o fim.

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