Não sou uma grande fã de música pop, em geral. Nada contra, só não é meu estilo. No entanto, algumas coisas escapam universos e alcançam até os menos informados. O novo clipe da cantora Talor Swift saiu na semana anterior a que escrevo esse texto e com ele inúmeras discussões sobre a vida dela. Inclusive, a amorosa.

 Cantora mundialmente famosa, ela arrasta fãs por todo mundo. Saindo do country e chegando ao pop, ela se mostrou uma artista eclética que agrada multidões. Porém isso não é tudo o que chama a atenção. Mesmo para aqueles que, como eu, não acompanham de perto sua carreira, é possível esbarrar em notícias sobre seus affairs. Basta abrir qualquer site de notícias para ver na aba de fofocas alguma matéria com o nome dela e um novo namorado. Nem é preciso procurar muito. Aparentemente a opinião da mídia é de que ela é uma grande namoradeira.

Fiz uma minipesquisa enquanto pensava em escrever esse texto e encontrei muitos posicionamentos. Alguns dizem que ela não consegue “segurar” ninguém, que se faz de vítima nas relações amorosas, que não sabe superar um ex sem escrever uma música sobre ele. Não sei se isso é ou não verdade. A pergunta que se apresenta a mim e que convido você a refletir comigo é: por que as pessoas se importam?

Ela é uma mulher jovem, rica e independente. Fez sua carreira e tem inúmeros fãs. Mas isso não impede que muitos resolvam apresentar suas opiniões sobre com quem e quantas pessoas ela namora/sai/fica. Ninguém está pagando pelos encontros dela. Então o que incomoda tanto?

Creio que a primeira razão é o fato da vida dela ser pública. A carreira dela e várias outras coisas que faz são divididas com as pessoas por meio das redes sociais. Conquistas, momentos de felicidade, prêmios são algumas das coisas que celebridades como ela dividem com o público. Porém, isso cria uma relação de familiaridade inexistente. Como se ver o que ela faz desse o direito de opinar sobre isso. Alguns por gostarem dela e outros exatamente pelo contrário enchem as redes com comentários indesejáveis e até inapropriados sobre a vida de uma pessoa que eles não conhecem. Antes, isso era exclusividade dos artistas, mas hoje muitos também dividem suas coisas na internet e se tornam alvo dos “haters” que discorrem sobre aspectos da vida dos outros que não lhes cabem. Claro que nem todos os comentários são negativos, mas me surpreende quanto a expressão negativa é valorizada e tolerada, como se tratasse de liberdade expressão! Se você acredita que isso não cabe a nós, pessoas não famosas, basta observar o número alarmante de casos de suicídio envolvendo bullying virtual ou o aumento de casos de doenças psicológicas relativas a problemas de autoestima e auto imagem.

A segunda razão é o fato dela ser mulher. Sim, isso ainda é um problema. Ela deveria ser, de acordo com alguns, um exemplo perfeito do feminino e do que se espera de uma mulher. Mas isso não se encaixa com o número de pessoas que ela namorou (considerado muito grande) ou como se expressa em suas canções. Mesmo com as grandes conquistas alcançadas, as mulheres ainda tem muitas de seus comportamentos julgados por crenças antigas do que é considerado adequado e a cantora não é exceção.

A terceira razão é a ideia de que é impossível que ela tenha se apaixonado por todos e que se não gostava, não deveria ficar com eles. A construção do amor romântico com almas gêmeas e relações eternas fica ameaçada se considerar que uma mulher bonita e bem-sucedida ainda não encontrou o seu par. Ou que, surpresa, tenha se envolvido por outros motivos que não amor. Quando alguém que vive sobre os holofotes parece viver uma vida contrária aos princípios que acreditamos e estar bem com isso, desenvolve-se a ideia de ameaça. Como se aquela pessoa estivesse defendendo que o que faz é correto e o que os outros acreditam esteja errado. Então alguns, em defesa de si e do que acreditam, atacam o “agressor” com críticas, opiniões indesejadas, entre outros.

Talvez a cantora seja um modelo caricato do quanto ainda é preciso avançar. Independente de admirar ou não seu trabalho como artista, é inegável o quanto ela é utilizada como referência e o quanto é atacada nas redes sociais. Não se trata de um texto de defesa, mas sim de uma reflexão. Por que a vida de alguém interessa tanto? Por que algumas pessoas creem ter o direito de criticar a vida de alguém que não conhecem? Por que não devemos naturalizar tal conduta?

Não a conheço, mas acredito que ela se comporta como o faz porque está feliz com isso e/ou porque aquilo faz sentido. Não se trata de uma política de mudança de atitude para o mundo, mas sim de uma maneira única de se expressar. Mesmo tendo sua vida observada pelo mundo, ela é só uma mulher que trabalha.

Mesmo que nem todos, ou talvez ninguém que leia esse texto seja uma celebridade, sempre estamos sendo vistos. Observados, analisados, avaliados. Mas isso não deveria interferir no que fazemos e somos. Afinal “haters gona hate” (quem odeia vai odiar [tradução livre] – Shake it of, TS).

 
 
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